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E quem disse que a natureza não está presente nas cidades?

O objetivo do UrbAnimals é exatamente esse: Dar uma visão que geralmente passa despercebida por todos diante de tanto trabalho e correria. A vida animal está presente tanto em nossos quintais como em parques e zoológicos.


O tema dos animais urbanos foi escolhido por mim não só pela certa dificuldade em ser estudante e viajar à procura de outros animais, mas também por se tratar de um tema importante, que mostra o quanto o homem já interferiu na vida do planeta, e como a natureza está se adaptando a isso.


Como futuro biólogo, tento aprender e difundir esse conhecimento cada vez mais, para que o homem entenda melhor cada uma dessas belas criaturas e aprenda a viver em harmonia com elas, trazendo assim um mundo melhor para todos, um mundo melhor para a vida.

Surpreenda-se. De cães a elefantes, de peixes a morcegos, o UrbAnimals vai te levar ao mundo de cada um deles.

Um grande abraço, Thom Girotto.

11 de setembro de 2012

As tartarugas híbridas da Bahia

As tartarugas-marinhas da Bahia estão se mostrando indiferentes com uma regra importante da biologia evolutiva: A que só se deve procriar com membros da mesma espécie.
Recentemente, estudos apontaram que cerca de 40% dos animais que desovam na praia baiana são híbridas; Um híbrido seria um um filho de pai e mãe de espécies diferentes.

Um estudo realizado em 2006 apontou que 43% das tartarugas consideradas morfologicamente como Eretmochelys imbricata  (tartaruga-de-pente), eram na verdade animais híbridos, com parte de seu DNA da espécie Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda) ou Lepidochelis olivacea (tartaruga-oliva). Já foi provado que existem no mínimo duas gerações de híbridos, o que comprova que esses animais seriam 'viáveis' do ponto de vista reprodutivo. 

Agora resta aos pesquisadores saber o que motiva essa hibridização; As hipóteses giram em torno do colapso das populações das tartarugas, vítimas da caça e também pressionadas pela coleta dos ovos nas praias (o que era uma prática comum há algumas décadas atrás).


O interessante é que tartarugas com morfologia de tartaruga-de-pente, por exemplo, foram se alimentar em áreas de tartaruga-cabeçuda. A morfologia de cada espécie é adaptada à sua dieta específica: tartarugas-de-pente, que possuem um tipo de bico pontudo, costumam se alimentar de esponjas, anêmonas e outros alimentos moles que podem ser encontrados em recifes de coral; Já as tartarugas-cabeçudas, que comem crustáceos, possuem a cabeça robusta para quebrar a carapaça destes animais.


A grande questão é saber o que será da população das espécies de tartarugas-marinhas, do ecossistema onde vivem e até mesmo do seu alimento; 







Cientistas acreditam que pode ser uma ameaça, teoricamente, e outros afirmam que o hibridismo não é necessariamente um problema. No momento, só estudos mais aprofundados poderão esclarecer essas dúvidas.

O UrbAnimals já viu uma tartaruga-híbrida!


Para quem se lembra, este é o simpático filhote que encontramos no TAMAR; Seu casco é o de uma tartaruga-de-pente, enquanto o corpo é de uma tartaruga-cabeçuda. 
Relembre nossa visita ao TAMAR na série UrbAnimals em Ubatuba.


Tema retirado do jornal Estado de S. Paulo - 12/08/2012

4 comentários:

  1. Simplesmente, sensacional! Uma dúvida me surgiu... Como você disse, já existem duas gerações de híbridos, mas dizem que animais de diferentes espécies não produzem descendentes férteis. Acredito que há casos sim, de híbridos férteis, como o mestiço de gato-do-mato, que encontramos na fazenda do sr Joaquim Miranda. Esse, seria o caso das tartarugas? Elas são férteis e vivem muito, como as ''puras'', ou não?

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  2. Pois é! Elas têm menos fertilidade do que os indivíduos de linhagem pura, mas ainda assim se reproduzem! Assim como você disse, serve o exemplo do mestiço de gato-do-mato, e também o peixe-papagaio(o de água-doce, conhecido como blood parrot cichlid)...

    E não acredito que tenham a longevidade alterada, devem viver tanto como as outras!

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  3. Entendi! Fascinante! Se esses híbridos começarem a se reproduzir entre si e gerarem uma população considerável, continuando a crescer, futuramente (bem futuramente, levando em consideração a longevidade das tartarugas), é possível que tenhamos uma nova espécie de tartaruga marinha!

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  4. Pois é, meu brother! 'Tudo pode acontecer...' Hahaha Só temos de torcer para que não seja nada prejudicial ao meio, porque de interferências negativas, já causamos demais!

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