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E quem disse que a natureza não está presente nas cidades?

O objetivo do UrbAnimals é exatamente esse: Dar uma visão que geralmente passa despercebida por todos diante de tanto trabalho e correria. A vida animal está presente tanto em nossos quintais como em parques e zoológicos.


O tema dos animais urbanos foi escolhido por mim não só pela certa dificuldade em ser estudante e viajar à procura de outros animais, mas também por se tratar de um tema importante, que mostra o quanto o homem já interferiu na vida do planeta, e como a natureza está se adaptando a isso.


Como futuro biólogo, tento aprender e difundir esse conhecimento cada vez mais, para que o homem entenda melhor cada uma dessas belas criaturas e aprenda a viver em harmonia com elas, trazendo assim um mundo melhor para todos, um mundo melhor para a vida.

Surpreenda-se. De cães a elefantes, de peixes a morcegos, o UrbAnimals vai te levar ao mundo de cada um deles.

Um grande abraço, Thom Girotto.

29 de abril de 2012

Diário de Minas Gerais: Ah, comida mineira!

23/01/2012


Após um dia de descanso de ir pro mato, estávamos ansiosos para ir almoçar na fazenda do Zé Aguiar e da Leonor, pois um delicioso almoço caseiro nos esperava. Antes disso, uma surpresa! Vocês se lembram das pombinhas-de-bando que fizeram o ninho sobre a parreira, no quintal? Bom, seu esforço foi recompensado com dois filhotes!


Mais uma adaptação urbana recomeçando o ciclo natural.


E na hora de calçar as botas... Ah, tão ótimas! 

Partimos!

No caminho, mais uma cena do trabalho rural no belo cenário da estrada de terra.

Chegamos! E olha só o que esperava nossos famintos estômagos...
Nada melhor do que um forno a lenha para dar aquele toque especial na comida!


Acreditem vocês ou não, um dos melhores pratos que eu já provei na vida. De onde é mesmo? Paris, Roma, quem sabe algum restaurante famoso por aqui mesmo? 
Nada disso! Essa comida tem o gosto único da fazenda, a famosa e deliciosa comida caseira mineira!

E depois do almoço, não deu nem tempo de fazer a digestão e já puxamos as câmeras para documentar um acontecimento muito comum na roça: Um caminhão atolado.
Como é de costume, Zé Aguiar pegou o seu trator e foi ajudar a desatolar o trator, e foi durante esse processo que descobrimos uma maneira de usar o que a Natureza nos dá de graça para nos ajudar, mais uma vez! 

O caminhão estava com as rodas atoladas no barro, então, para dar uma tração, os homens cortaram partes de cupinzeiros com suas enxadas e colocaram esses pedaços sob as rodas. O resultado foi imediato! 
Quanto mais peso o trator tiver, mais efetiva será seu trabalho ao puxar o caminhão. Comprovamos isso na segunda parte do processo, quando eu, Marcão e Rufus, o lenhador o nosso querido Robert, subimos no trator. Conseguimos! Roberto reconheceu que aquilo só foi possível graças ao meu enorme peso de sessenta e poucos quilos.

Você quer acompanhar o processo? Clique AQUI e assista, o Spirito Selvagem filmou tudo!


Depois de desatolar o caminhão, é claro, nós fomos atrás dos bichos!
Esse cara aí é um arapaçu-do-cerrado, procurando por comida nessa estaca de cerca. E pelo jeito ele encontrou...


Essa avezinha tem lá seus 20cm, e se alimenta de pequenos invertebrados, insetos, aranhas, anfíbios, etc (basicamente qualquer bichinho faz parte do seu cardápio).


Pegamos a estrada, e logo avistamos essa linda ave, o caracará. 
O caracará é um Falconiforme, mas não é um grande caçador. Pode ser visto melhor como um oportunista, também como lixeiro, sendo encontrado muitas vezes junto de urubus se alimentando de carniça.
É uma ave muito adaptada tanto ao meio urbano quanto ao rural, e pode ser encontrado basicamente no Brasil inteiro, e no norte, onde é menos presente, há uma outra espécie do gênero Caracara, conhecida como caracará-do-norte. São espécies muito parecidas, mas a espécie do norte difere-se principalmente por ser menor.


E por último, o picapauzinho-anão.
A foto não faz jus à beleza dessa pequena ave, que tem o corpo cinza e verde e a cabeça vermelha. Chega a 15cm, e pode ser encontrado com facilidade na região Sudeste. Come insetos e algumas frutas.

Continue ligado no Diário de Minas Gerais aqui no UrbAnimals, pois a parte mais legal da viagem ainda está por vir!

18 de abril de 2012

Diário de Minas Gerais: Rumo ao desconhecido

21/01/2012


Era de manhã e não havia nenhum programa marcado. O que fazer então? Resolvemos explorar novamente a estrada que liga São Sebastião do Paraíso a Guardinha, e fomos mais preparados dessa vez, levando mais água potável e uma banana como lanche, após um café-da-manhã reforçado, naturalmente.


Sob o sol mineiro, adentramos o meio do mato, literalmente, e seguimos por caminhos criados na hora, até que avistamos um bambuzal, e em seguida o barulho de água. Nós precisávamos ver aquilo!


Encontramos um regato! 


Não preciso nem dizer que após uma caminhada daquelas, o cantinho nos proporcionou momentos de diversão, além de nos refrescar!

 O tal regato beirava uma fazenda, e infelizmente não pudemos beber de sua água, por vários motivos; Não conhecemos sua origem, a água pode ter sido poluída por fertilizantes ou outros produtos químicos, fora que mais para baixo pudemos encontrar lixo, a triste realidade de sempre. Parece que em todo o lugar que se vá, por mais inacessível, o homem consegue deixar sua marca, seja com uma latinha, preservativo, embalagem ou qualquer outro tipo de lixo.


Bom, mas para tomar um banho aquele regato serviu! O Marcus Farah colocou um vídeo do regato no Spirito Selvagem, que você pode conferir clicando AQUI.


 Na postagem do Spirito Selvagem você também encontra fotos melhores desses carinhas aí, que são arirambas-de-cauda-ruiva. Quando avistamos o par de aves, pensei que eram beija-flores (a espécie é até conhecida como beija-flor-d'água, beija-flor da mata-virgem e beija-flor-grande, embora não tenha parentesco próximo com os próprios beija-flores). Não errei tão feio assim...
Essas arirambas se alimentam de insetos que capturam no voo.

  Para continuar nossa volta após descansar no regato e comer a tal banana, eu tinha que dar uma de Bear Grylls: fiz uma pequena lança de bambu, que na verdade usaria para cutucar o mato em minha frente na esperança de encontrar uma possível cobra antes que ela me encontrasse primeiro. Considero um pouco arriscado a ideia de se aventurar pelo mato em dois, sem nenhum soro ou proteção contra picadas em geral.  
Bom, infelizmente não encontrei nenhuma cobra para mostrar aqui no UrbAnimals, por outro lado fiquei feliz de não precisar usar a lancinha contra nenhuma.

O que eu encontrei, ou melhor, me encontrou na estrada foi um pequeno vira-latas.
Está bem, era só um guaipeca, mas não resisti tirar alguma fotos com ele. Ah, guaipeca significa 'vira-latas pequeno', é um termo originário do sul do país.

O simpático cachorrinho sujo se mostrou muito afetivo, e pudemos lhe oferecer um pouco de água.

Os cães são animais incríveis, é por isso que sempre que posso, reservo um espaço nas postagens para mostrar algum. Falei um pouco sobre as injustiças pelas quais passa o melhor amigo do homem na postagem 'Melhor amigo de quem?' para o E esse tal Meio Ambiente?, e você pode conferi-la AQUI.


 O nosso amiguinho nos seguiu até em casa, e infelizmente tivemos de nos despedir dele ali. Com lágrimas nos olhos tivemos de nos separar daquele pequeno amigo, que nos seguiu após lhe darmos um pouco de água, carinho e atenção.
É por isso que eu acho os cães animais tão especiais; Eles te retribuem com amor, sem se importar com quem você é. Foi realmente triste ter que deixar nosso amiguinho partir, a despedida é triste mas necessária. 

E assim terminou mais um dia no Sul de Minas, cheio de histórias para contar e lembranças inesquecíveis.
Não perca a próxima postagem do Diário de Minas Gerais, só aqui no UrbAnimals!

14 de abril de 2012

Diário de Minas Gerais - A noite no campo

20/01/2012

E a noite estava a caminho, mas antes eu não podia perder a oportunidade de subir nessa árvore. 

Mais uma ligação incrível com a natureza. Só é preciso um pouco de cuidado para não colocar a mão em algum inseto ou espinho, fora isso, é se acomodar entre os galhos e apreciar a vista, o vento, meditar de olhos abertos.

Aí estão alguns insetos, mas não é desses que eu estava falando! 
Estes são besouros, membros da ordem Coleoptera. Os besouros são os maiores representantes dentre todos os seres vivos, são cerca de 350 mil espécies (descobertas até agora). 

Esses 'fusquinhas' vivem no campo, e à noite são atraídos pela luz. Muitos acabam batendo nas lâmpadas e caindo no chão de ponta-cabeça, se tornando vítimas fáceis para sapos, por exemplo.

Esse inseto tem a cara da noite! É uma mariposa, linda demais! Esses animais entram em contato direto com o homem, pois também são atraídas pela luz e acabam invadindo as casas, mas não há nada com o que se preocupar. Esses seres são inofensivos.

Mais uma vez, desmistificamos o mito de que as mariposas podem nos cegar. O que de fato acontece é que, se você pegar uma mariposa, ela soltará escamas, e se estas escamas entrarem em contato com os olhos ou a mucosa, podem causar irritação. O mais importante é dizer que o 'pozinho' das mariposas não cega! 

As mariposas são um dos principais alimentos dos morcegos.


E para finalizar a noite, mais um mito desmistificado: O sapo. O Bufo marinus, atualmente conhecido como Rhinella marina, é o famoso sapo-cururu (acredito eu que seja um exemplar desta espécie).
Facilmente encontrado nas fazendas, ainda mais de noite. Este é um indivíduo jovem. Mais um animal que possui uma série de mitos atribuídos, como 'se você tocar no sapo pegará cobreiro', ou então 'o sapo vai espirrar veneno nos seus olhos'. O cobreiro é uma infecção causada pelo reaparecimento do vírus da catapora, e os cientistas acreditam que essa reativação do vírus se dá por causa de estresse ou causas psicológicas. Já a questão do veneno, o sapo possui sim duas glândulas onde está armazenado uma secreção leitosa, mas serve para o caso de defesa. Por exemplo, se um cão morder o sapo, irá pressionar essas glândulas, que vão liberar o veneno, com um gosto horrível. Logo, o cão soltará o sapo, que sairá vivo para contar a história.

Nada de veneno direto nos olhos, mais um mito! Dentre os vídeos perdidos, havia o vídeo do sapo, onde eu falava sobre isso. Esperamos que ainda seja possível encontrá-los.


E nessa mesma noite, confira AQUI um vídeo do Spirito Selvagem, logo após ouvirmos um rugido de onça enquanto caminhávamos pela estrada da fazenda! 

Enquanto isso, continue ligado no Diário aqui no UrbAnimals, pois com ou sem os vídeos, tem muita coisa bacana vindo por aí! 

11 de abril de 2012

Diário de Minas Gerais - Uma tarde na fazenda

20/01/2012

Era de tarde, e chegamos à fazenda de uma amiga nossa, a Fernanda. Logo, fomos apresentados ao Mustang, um simpático cavalo que nos proporcionou corridas e passeios pela fazenda. Bom demais!


Eu e Mustang, um ótimo corredor! Foi incrível a sintonia entre homem e animal, pois mesmo estando após tantos anos sem montar, sem experiência nenhuma, não tive nenhum problema com ele, correspondeu meus comandos sem hesitar. Quando você trata um animal magnífico como esses com respeito e carinho, é o que tende a acontecer. 

Ligação homem-animal. Não tenho outra definição para dizer o que senti, mais uma vez. Uma sensação maravilhosa, além da diversão da cavalgada, da bela paisagem rural, do vento... Incrível!

Havia um vídeo que ilustrava perfeitamente essa situação. Mais uma vez, lamento a perda dos mesmos, mas ainda tenho esperança de que sejam encontrados. Caso aconteça, irei postá-los assim que puder!


Essa simpática franguinha não quis nem saber do cavalo e de mim, e se mandou! 

Esse é o tico-tico, imortalizado em canções como 'tico-tico no fubá', avezinha muito popular aqui no Brasil, e comum no ambiente rural. Se alimenta de quase tudo: insetos, frutos, grãos... E é claro, quando há comedouros, marca presença também. Não dá para saber se esse carinha aí é um macho ou uma fêmea, a espécie não apresenta dimorfismo sexual.


Se eu pudesse aplicar uma relação, diria que os canários-da-terra no campo estão para os pardais na cidade. Eita passarinho comum! Sempre alegrando os campos com seu canto, esse pássaro se alimenta de grãos. Como esmaga os grãos com o bico, não é considerado um dispersor, e sim predador de sementes.


Também comuns são esses verdinhos aí, casal de periquitão-maracanã (Aratinga leucophtalma). Psitacídeo que se alimenta basicamente de frutos e sementes, bem comum e barulhento. Mais um exemplo de adaptação, vivendo próximos à fazenda.

E a tarde estava por acabar. Nos despedimos do Mustang, que nos proporcionou horas maravilhosas de contato com a Natureza, e nos aguentou, correndo por aí!

A noite chegava, e como se não bastasse o churrasco que estava por vir, a escuridão nos trouxe novas experiências e bichos!

Continue ligado no Diário aqui no UrbAnimals, pois ainda vem muita coisa por aí!

9 de abril de 2012

Diário de Minas Gerais: Uma manhã no pesqueiro

20/01/2012 
Esse dia será dividido em três postagens: manhã, tarde e noite.

Pois bem, eram cerca de 10 horas e fomos buscar o almoço no Pesqueiro Matrinchã. Um pesqueiro é um lugar onde você pode pescar e levar os peixes, pedir para algum funcionário capturá-los em tanques de criação ou então relaxar e apreciar os pratos do restaurante. A manhã estava fria e nublada, mas o local continuou lindo!

Apesar de artificial e modificada pelo homem, a vista no Pesqueiro Matrinchã ainda é muito bonita e verde.

Logo que chegamos, pudemos avistar as famosas adaptações naturais: As aves. Como já foi mostrado na coletânea Pássaros urbanos em 2010, muitos emplumados se adaptam com o ser humano, e encontram maneiras de aproveitar essa interação.

A garça-branca-grande e o savacu (ou socó) são facilmente encontrados em parques, pesqueiros e mercados de peixe, pois são atraídos pela comida fácil. Os tanques-rede do pesqueiro são uma ótima maneira de se obter comida sem muito esforço, fora que muitos peixes pulam e se tornam presas fáceis. 

Essa aí é a garça-moura, da mesma família da garça-branca-grande. Os motivos que a atraem para locais como o pesqueiro são os mesmos de sua 'prima': comida, mas é claro! Mas, diferentemente dela, a garça-moura costuma ser mais solitária.

Pode parecer um arpãozinho, mas na verdade é um socozinho, ave pescadora, que assim como todas as aves mostradas até aqui, também é membro da família Ardeidae. Ele fica imóvel, nessa posição retraída, e quando encontra oportunidade, lança seu pescoço como um verdadeiro arpão, capturando o peixe. Ineflizmente, dentre os vídeos perdidos, estava um dele caçando. É um bote incrível!

Voltamos para casa, para saborear as tilápias que compramos no pesqueiro. Estavam uma delícia!

Mas nosso dia não iria acabar por aí, jamais! Já tínhamos convite para ir a uma fazenda à tarde, e é esse passeio que você vai conferir na próxima postagem do Diário



Continue acompanhando o UrbAnimals, pois vem muita coisa por aí!